A alegria dos festejos juninos já se faz presente por todo canto, seja nas capitais ou no interior, mas esconde, porém, alguns perigos para os animais, principalmente cães, gatos e aves, que costumam circular pelas ruas. O pipocar dos fogos, as bombas e até mesmo resquícios de pólvora são nocivos aos pets.

Médico veterinário em Salvador, Dr. Paulo Henrique lembra que os pets possuem audição muito mais aguçada que os humanos. Se para as pessoas o estrondo de uma bomba chega a incomodar, muito mais para os peludos, podendo até mesmo causar problemas auditivos, além de mudança de comportamento. Alguns animais ficam amedrontados e muitas vezes perdem a vontade de sair para passear.

É o caso da cadela Branca, uma mistura de poodle com cocker spaniel. Aos domingos, quando ocorrem os jogos de futebol, não há meio de ela ir à pracinha, devidos ao foguetório comemorativo. “No mês de junho, então, sair com ela para passear é tarefa difícil. Fica o tempo todo debaixo da cama se tremendo de medo”, conta Glória Varjão, tutora de Branca. Já a recentemente falecida gatinha Zazá padecia de dores nos ouvidos todo mês de junho, devido aos fogos juninos.

Não são raros também os casos de queimaduras em animais provocadas por fogos de artifícios. Existe o registro, entre tantos outros, de um cão, vítima de uma bomba na cidade de Milagres, interior baiano, há três anos. Atraído pelo artefato, o animal tentou pegá-lo com a boca, e teve o maxilar dilacerado pela explosão.


Menos graves, entretanto não menos desconfortáveis, são as queimaduras provocadas por resto de pólvora após o estouro de uma bomba na rua, na calçada, ou até mesmo em bancos de praça, onde os bichos costumam sentar, ou deitar.  

PROIBIÇÃO
Reconhecendo esses riscos, a vereadora Ana Rita Tavares, já chegou a apresentar na Câmara de Salvador, um projeto de lei prevendo a proibição das bombas de alto impacto sonoro, na cidade, que segundo ela, são agressivos também para os humanos.

Sabedora da importância da tradição junina na região Nordeste, ela diz que os fogos de artifícios exercem maior efeito visual, do ponto de vista do entretenimento, que as bombas.

Portanto, todo cuidado com os pets nesse período do ano é pouco. Dr. Paulo Henrique diz que o ideal seria retira-los das proximidades de locais onde as festas acontecem de forma muito efusiva.  “Vale, inclusive, recorrer ao uso de protetores auriculares, para reduzir o efeito dos ruídos nos bichos”, diz o médico.

FUGAS
Essa época também É propícia à fuga de animais, assustados com o barulho dos fogos e rojões. O pânico os desorienta, tendendo a correrem desesperados e sem destino. Muitos podem sofrer paradas cardiorrespiratórias, convulsões e ter diversos problemas que podem os levar à morte.

Segundo a Agência de Notícias dos Direitos dos Animais, maiores perigos em consequência dos fogos para os peludos são:

– Fugas: Perdidos eles podem ser atropelados ou mesmo provocar acidentes

– Mortes: Enforcando-se na própria coleira quando não conseguem rompê-la para fugir, ou mesmo ao tentarem passar por vãos pequenos, atirando-se de janelas, atravessando portas de vidro, batendo a cabeça contra paredes ou grades

– Ferimentos: Quando atingido ou quando abocanham rojão achando que é algum objeto para brincar

– Traumas Emocionais: Resultando nas mudanças de temperamento para agressividade

– Ataques contra os próprios donos e outras pessoas

– Brigas com outros animais com os quais convivem inclusive

– Mutilações, no desespero de fugir atravessando grades e portões.

– Convulsões (ataques epileptiformes)

– Morte e alteração do ciclo reprodutor dos animais da fauna silvestre.

– Afogamento em piscinas

– Quedas de andares e alturas superiores

– Aprisionamento indesejado em lugares de difícil acesso na tentativa de se protegerem

– Paradas cardiorrespiratórias