Defensor da causa animal na câmara federal, o deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP) pediu ao ministro da Defesa, Raul Jungmann, a demissão dos responsáveis pela exibição da onça pintada Juma em cerimônia da passagem da tocha Olímpica, no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), em Manaus (AM). Símbolo da região, o animal foi abatido com um tiro momentos após o evento, porque tentou escapar da jaula e agredir um militar.

O deputado solicitou ainda a promulgação de normativa que proíba a exibição de animais silvestres em eventos de qualquer natureza. Na segunda-feira da semana passada, o revezamento da tocha olímpica passou por diversos locais na capital amazonense, entre eles o centro responsável por qualificar militares a atuarem em regiões inóspitas da Amazônia. Lá, Juma foi exibida ao público, juntamente com outra onça macho, Simba.

Juma pertencia ao 1º Batalhão de Infantaria de Selva, era tida como mascote dos militares, com quem vivia desde filhote.

Logo após o ocorrido, o Exército informou, por meio de nota que tentou, sem sucesso, conter a onça com disparos de tranquilizantes. Também o Comitê Rio-2016 se manifestou, admitindo o erro. “Erramos ao permitir que a tocha Olímpica, símbolo da paz e da união entre os povos, fosse exibida ao lado de um animal selvagem acorrentado. Essa cena contraria nossas crenças e valores. Estamos muito tristes com o desfecho que se deu após a passagem da tocha. Garantimos que não veremos mais situações assim nos Jogos Rio 2016”, disse, também por meio de nota.

No ofício encaminhado a Jungmann, Tripoli condenou o uso do animal na cerimônia. “A exposição da onça Juma, em evento de cunho olímpico e de visibilidade internacional, acorrentada e acuada, por si só já representou um afronta aos preceitos éticos, à vida e à biodiversidade. O trágico desfecho terminou por demonstrar o quão distantes estão as autoridades ambientais de seu escopo maior”, disse.

Conforme ainda o parlamentar, a obrigação das autoridades ambientais é de propiciar todo o necessário para que os ecossistemas sejam preservados, garantindo que os silvestres vivam em seu habitat.