Estamos em uma nova sexta-feira, 13, e com ela sempre ressurge o velho preconceito travestido de lenda de que cruzar com um gato preto é prenúncio de má sorte. Mas será mesmo que um bichinho, muitas vezes indefeso e relegado à própria sorte, pode trazer qualquer tipo de sortilégio só por causa da cor do seu pelo?

Fato é que essa conversa de que gatos pretos dão azar não é de hoje, data da idade média. Contudo, em pleno século XXI ainda existem pessoas dispostas a manter vivo um preconceito, que justifica atos de uma crueldade abominável.

São muitas as lendas histórias acerca dos gatos pretos. Uma delas acredita que a alma de um gato preto, depois de sair de outro morto, fica vagando até encontrar um novo gato preto, e assim sucessivamente.

A história nos conta que, na Idade Média, os gatos pretos eram considerados bruxas transformadas em bichos e quem cruzasse com eles fatalmente teria má sorte. Foi nesta época que se levantou a ideia do azar, atribuído ao felino, por causa da associação às trevas, magia negra e ao próprio diabo.

No século XV, o papa Inocêncio VII incluiu os gatos na lista dos seres hereges pela Inquisição porque, naquele período, eles eram relacionados aos maus espíritos. Assim os bichanos passaram a ser acusados injustamente e queimados junto com pessoas que eram acusadas de bruxaria.

Entretanto, o Rei Charles I, da Inglaterra, passou por cima de todas essas crenças e adotou um gatinho preto de estimação. E mais, ele atribuía a sua sorte ao animal. A crença no gato preto era tão grande que ele mantinha o felino sob permanente vigilância. Mas o gato morreu, e logo após este acontecimento, o rei foi preso, acusado de traição, e em seguida executado, em 1649.

Na Pérsia antiga havia a crença de que maltratar um gato preto, era o mesmo que estar maltratando um espírito amigo, criado especialmente para fazer companhia ao homem durante sua estada na Terra. Desse modo, ao prejudicar um gato preto, o homem estaria atingindo a si mesmo.

Chama a atenção o fato de esses bichinhos adoráveis não terem sido extintos, sobrevivendo a tantas crendices. Qualquer pessoa minimamente esclarecida nos dias atuais tem o dever de rechaçar todo e qualquer preconceito nesse sentido.

Ao adotar um gatinho preto tenha a certeza de que terá um lar harmonioso e feliz, como seria com um felino com qualquer outro tom de cor na pelagem.

A moral da história é que não é a cor que limita ou condiciona qualquer tipo de sorte, ou falta dela, mas sim, a falta de bom-senso e esclarecimento. Gatinho preto não dá azar, dá é amor.