Uma boa notícia para o mundo dos pets. A Unesp está desenvolvendo uma vacina contra a esporotricose, doença que afeta tanto animais quanto os seres humanos, presente em todo o país. O mal é causado por fungos do chamado complexo Sporothrix schenckii, que reúne diversas espécies, das quais a mais virulenta é a Sporothrix brasiliensis, exclusiva do Brasil. Em fase de estudos pré-clínicos, a vacina será destinada a gatos, o principal transmissor dessa zoonose, e já teve seu pedido de patenteamento encaminhado para a Agência Unesp de Inovação (AUIN).

A pesquisa está a cargo de um estudante cubano, aluno do Programa de Pós-graduação em Biociências e Biotecnologia Aplicadas à Farmácia, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), Câmpus da Unesp de Araraquara (SP). Ele conta que já realizou testes in vitro e in vivo – feitos em camundongos –, para avaliar sua capacidade imunogênica, ou seja, de induzir a produção de anticorpos e uma resposta celular. Paralelamente, foi avaliada a toxicidade in vitro e in vivo dessas formulações.

Até recentemente a esporotricose não era levada tão a sério, apesar de ser observada em todo o mundo, com inúmeras áreas endêmicas, sendo uma das micoses subcutâneas mais frequentes em regiões como a América do Sul, principalmente o Brasil.

Os fungos transmissores se encontram principalmente em terrenos onde há material vegetal em decomposição, sendo transmitida por espinhos ou gravetos de plantas, daí o nome popular de “doença de jardineiro”.

Nos últimos anos a esporotricose tornou-se uma importante zoonose no Brasil, sendo os gatos os animais mais acometidos pela doença. Quando esses felinos cavam a terra nesses locais, acabam por abrigar os fungos em suas unhas e como têm o hábito de se coçarem, principalmente na face, podem adquirir a enfermidade, tornando-se potenciais transmissores para os homens.

No ser humano, a doença pode ter diversas manifestações clínicas. No caso mais simples, limita-se a uma doença cutânea, apresentando nódulos no local da infecção. Sua manifestação mais comum é como doença linfocutânea, quando atinge os vasos linfáticos, principalmente do braço. Pode também se espalhar pelo corpo, como uma infecção sistêmica.

A ocorrência mais grave dessa zoonose se dá entre pessoas com sistema imunológico comprometido – como os pacientes com diabetes ou portadores do vírus HIV ou, ainda, que se submetem a tratamentos com medicamentos imunodepressores –, podendo até mesmo levar à morte. Geralmente, o contágio se dá pelo contato do fungo com a pele, mas a doença pode também ocorrer por via aérea, no caso de pacientes imunodeprimido.

Fonte: Segs Portal